Deve-se vistoriar o jardim periodicamente, como objetivo detectar a presença de pragas e/ou doenças.
É necessário esclarecer que, quando se fala em pragas, está se referindo ao inimigo da planta de origem
animal (pulgões, lagartas, cochonilhas, etc.), e em doenças, quando o inimigo da plantas é de outra
origem (fungo, vírus e bactéria).

Pragas
O controle das pragas pode ser tanto preventivo quanto de ação
direta, pela aplicação de defensivos agrícolas.
Outra possibilidade é o uso de defensivos alternativos, de produção
caseira, quase nada tóxicos e que têm se mostrado bastante eficientes no
combate das pragas.

a) Formigas: as espécies consideradas pragas em jardins e hortas
são compostas pelas formigas cortadeiras: saúvas e quenquéns.
Não existe ainda uma forma eficaz de se controlar naturalmente
formigas cortadeiras. As iscas tóxicas (formicidas) são as mais eficientes no
mercado, fáceis de aplicar, pouco tóxicas ao homem e de preço acessível.
Sua utilização deve ser feita seguindo-se criteriosamente as instruções
contidas no rótulo. Deve-se, ainda, respeitar a indicação de iscas para
jardinagem amadora e para a agricultura. Esta última não pode ser utilizada
na área urbana.

b) Lesmas e Caracóis: normalmente atacam à noite, furando e
devorando folhas, caules e botões florais, mas também podem atingir as
raízes subterrâneas.
Dicas: besouros e passarinhos são seus predadores naturais. Uma boa
forma de eliminá-los é usar armadilhas feitas com “isca de cerveja” para
atraí-los. Como fazer: tirar a tampa de uma lata de azeite e enterrá-la
deixando a abertura no nível do solo. Colocar dentro um pouco de cerveja
misturada com sal. As lesmas e os caracóis caem na lata atraídos pela
cerveja e morrem desidratados pelo sal.

c) Ácaros: parecem pequenas aranhas vermelhas, sendo de tamanho
microscópico. O sinal de que a planta está sendo atacada é o aparecimento
de minúsculas teias prateadas na parte de baixo das folhas. Todas elas
podem matar suas plantas, mas antes deixam as folhas manchadas e
enroladas.

d) Pulgões: podem ser pretos, marrons, cinzas e até verdes. Alojamse
nas folhas mais tenras, brotos e caules, sugando a seiva e deixando as
folhas amareladas e enrugadas. Em grande quantidade podem debilitar
demais a planta e até transmitir doenças perigosas. Os pulgões costumam
atacar, principalmente, as plantas de hastes e folhas macias. Precisam ser
controlados logo que aparecem, pois multiplicam-se com grande rapidez.
Dicas: as joaninhas são seus predadores naturais. Um chumaço de
algodão embebido em uma mistura de água e álcool em partes iguais ajuda a
retirar os pulgões das folhas. Essa operação pode ser feita semanalmente.
Recomenda-se também a aplicação de calda de fumo ou macerado de urtiga.

e) Cochonilhas: são insetos minúsculos, geralmente marrons ou
amarelos, que alojam-se principalmente na parte inferior das folhas e nas
fendas. Além de sugar a seiva da planta, as cochonilhas liberam uma
substância pegajosa que facilita o ataque de fungos, em especial, o fungo
fuliginoso.
Dicas: as joaninhas também são seus predadores naturais, além de
certos tipos de vespas. A calda de fumo e a emulsão de óleo são métodos
naturais bastante eficientes para combatê-las. Deve-se evitar o uso de
controle químico, mas, quando necessário, nos casos extremos,
normalmente são usados óleo mineral e inseticida organofosforado.

f) Moscas-brancas: são insetos de coloração branca. Não é difícil
notar a sua presença: ao esbarrar numa planta infestada por moscas-brancas,
ocorre uma pequena revoada de minúsculos insetos brancos.
Dica: é difícil eliminá-las; por isso, muitas vezes, é preciso aplicar
insetidas específicos. Quando o ataque é pequeno, o uso de plantas
repelentes - como tagetes ou cravo-de-defunto (Tagetes sp.), hortelã
(Mentha sp.), calêndula (Calendula officinalis), arruda (Ruta graveolens) -
costuma dar bons resultados.

g) Lagartas: fáceis de serem reconhecidas, as lagartas costumam
enrolar-se nas folhas jovens e literalmente comem brotos, hastes e folhas
novas, formando uma espécie de "teia" para proteger-se.
Dicas: caso não apresente um ataque maciço (quando é indicada a
aplicação de um lagarticida biológico, facilmente encontrado no mercado), o
controle das lagartas deve ser manual, ou seja, devem ser retiradas e
destruídas uma a uma. A calda de angico ajuda a afastar as lagartas e não
prejudica a planta. O uso de plantas repelentes, como a arruda, pode ajudar a
mantê-las afastadas. Aves e pequenas vespas são suas “inimigas” naturais.

h) Percevejos: são mais conhecidos como “marias-fedidas”, pois
exalam um odor desagradável quando se sentem ameaçados. Seu ataque
costuma provocar a queda de flores, folhas e frutos, prejudicando novas
brotações.
Dicas: vespas são seus predadores naturais. Devem ser removidos
manualmente, um a um. Se o controle manual não for eficiente, a calda de
fumo pode funcionar como um repelente natural.

i) Tatuzinhos: muito comuns nos jardins com umidade excessiva,
são também conhecidos como “tatus -bolinha”, pois enrolam-se como uma
bolinha quando são tocados. Vivem escondidos e alimentam-se de folhas,
caules e brotos tenros, além de transmitir doenças às plantas.
Dicas: evitar a umidade excessiva em vasos e canteiros; devem ser
retirados manualmente e eliminados um a um.

j) Nematóides: são “parentes” das lombrigas e atacam as plantas
pelas raízes. As plantas afetadas apresentam raízes grossas e cheias de
fendas. Num ataque intenso, provocam a morte do sistema radicular e,
conseqüentemente, da planta.
Algumas plantas dão sinais em sua parte aérea, mostrando sintomas
do ataque de nematóides: as dálias, por exemplo, podem apresentar áreas
mortas, de coloração marrom, nas folhas mais velhas.
Dicas: o melhor repelente natural é o plantio de tagetes (o popular
cravo-de-defunto) na área infestada. Se o controle ficar difícil, deve-se
eliminar a planta infestada do jardim, para evitar a proliferação.